! exclamação · o corpo transmite

A língua é pavio

letra-canção para uma física do desejo

Áudio

Noite alta, desperto com a melodia das estrelas.

No coro da galáxia, cintilam alinhadas, tão belas.

Bailam e levantam poeira num descomeço sem fim.

Espero a atração gravitacional te trazer para mim. No teto escuro do quarto, procuro constelações de memórias: Paralelo 30, lembranças, invernos, histórias.

Palavras sem sentido se oferecem nuas, desenvoltas.

Minhas ideias fixas não alcançam tuas frases soltas.

Somos matéria acesa por dentro.

Em cada peito, um sol brilha no centro.

Combustão espontânea no abraço apertado.

O desafio do gozo é decifrar-te depois de devorado. A nebulosa do amor atravesso.

Navego sem precisão.

Corpos celestes decifro: prosa, verso, canção.

Balbucio mantras, busco o som primordial do universo.

Uivo para a lua cheia.

Com os lobos, eu converso.

Nos mares, matas, ruas e bares de algum lugar qualquer,

a poeira cósmica une bicho, planta, homem, mulher.

A solidão é nau à deriva, refém de um coração amotinado.

A paixão é pólvora seca ansiando pelo fósforo riscado. A língua é pavio do corpo, paiol do desejo.

Acende no céu da boca e explode no beijo.

Teu sistema solar decifro verso a verso, devagar.

Meu signo é teu silêncio.

O teu, o meu olhar.

Somos matéria acesa por dentro.

Em cada peito, um sol brilha no centro.

Combustão espontânea no abraço apertado.

O desafio do gozo é decifrar-te depois de devorado.

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