
Autor
Adriano Floriani
As minhas principais influências artísticas e estéticas são Machado de Assis, Rubem Braga, Fernando Pessoa, Luis Fernando Veríssimo, João do Rio, Manoel de Barros, Chico Buarque, John Lennon, Black Sabbath, não necessariamente nesta ordem.
Gosto do humor no texto, da escrita que persegue a simplicidade que as coisas complexas escondem. Admiro a escrita em carne viva, e que esfola os olhos, da reportagem. Gosto da escrita irônica e do cinismo debochado dos que não se levam tão a sério. Aprecio as imagens poéticas que a crônica encontra no cotidiano para nos devolver o suspiro. Valorizo o sonho de olhos abertos, as utopias transformadas em hinos. Admiro a escrita visceral dos que exumam a própria alma em público.
Falta-me a profundidade dos escafandristas da palavra. Não possuo o repertório de quem transcende a gramática para dizer com palavras que nem bem existem o que não se consegue dizer. Escrevo para reciclar minhas leituras, convicções, alegrias e frustrações. Funciono como um filtro velho que faz recircular as emoções turvas para transformá-las em água potável. Às vezes consigo saciar minha própria sede. Em outros momentos, me afogo.
Não busco empatia, compaixão, admiração ou piedade. Busco alívio ao encarar minhas idiossincrasias e confrontá-las com o chicote da autocrítica ou o afago da autoindulgência. Busco as minhas verdades por trás de cada palavra que eu não criei. Persigo alguma autenticidade para compensar a falta de originalidade no discurso e na narrativa. Como um farsante tímido e autocentrado, não quero ser apanhado em flagrante mentindo para mim mesmo.
Autor de O Dia Cobra Recibo.